a) Conhecimento;
b) Conhecimento;
c) Conhecimento;
d) Humildade em aceitar que não sabem tudo.
Interferem em decisões baseados apenas em achismo.
Porém... Continuei me enrolando e o texto nunca saiu, até agora, pois encontrei um texto que trata disso e vou postar aqui. Mas antes quero fazer uns comentários meus.
O primeiro e acredito o único é esse:
Pessoal, infelizmente a mera existência do ser humano interfere na natureza. A balela de que os índios vivem ou viviam em hamonia absoluta com a natureza é isso, apenas besteria. O que fazia os índios aparentemente viverem em harmonia era a baixa densidade demográfica e o fato dele serem nômades e semi-nômades.
Posto isso, defendo que devemos sempre nos preocupar em minimizar os impactos ambientais. Minimizar? Porque não eliminar os impactos?
Minimizar, porque eliminar significa não interferir e isso é impossível.
Agora vocês devem estar se perguntando: "Ok Talarico! Mas o quê isso tem haver com os ecoburros?"
Tudo... Leiam o texto que entenderão.
| JC e-mail 3680, de 14 de Janeiro de 2009. | ||||
| ||||
Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico, é professor emérito da Unicamp, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS) e membro do Conselho Editorial da “Folha de SP”, onde o artigo foi publicado:
“A Hefaísto (Vulcano, para os romanos), deus grego do fogo e da forja, enfim, de tudo o que se refere à energia, foi confiada a repartição entre os povos dos atributos relativos ao seu domínio. Convidou então Hélios, o Sol, para ajudá-lo na árdua tarefa.
"Neste país", determina Hefaísto, "América do Norte, vamos colocar os ímpios tornados, os devastadores ciclones ("hurricanes'). Neste "soi-disant" Império do Sol Nascente, serão concentrados os terremotos e vulcões, manifestações da incontida energia nuclear contida no núcleo da Terra. À Rússia, sua Sibéria e adjacências serão conferidas a tortura do gelo perene, da neve de aluvião e suas consequências, tais como a quebra de colheitas e a fome. No Oriente, ventos e tempestades produzirão as mais devastadoras enchentes. No Pacífico, tsunamis trarão, vez por outra, funestas tragédias".
E assim foi até que chegou a vez do Brasil. "Aqui vamos colocar os mais benevolentes potenciais hídricos, terras férteis abundantes, a pujante Amazônia, generosa solaridade e regularidade de chuvas, essenciais para o cultivo da biomassa. Enfim, tudo o que for necessário para uma produção fecunda de energia renovável".
Hélios, até então conformado com as extravagâncias de Hefaísto, se revoltou. "Por que esse desequilíbrio, essa manifesta injustiça? Tudo de bom em um único país, tudo de ruim nos demais?" "Calma", replica Hefaísto. "Espera só para ver a invasão de ONGs verdolengas, obsessivas, paranoicas, que vão infestar o Brasil."
Não nos ocuparemos aqui daquelas denominadas "ONGs do mal". Dentre elas, aquelas cujo propósito único é o usufruto de benesses financeiras e materiais. São denominadas ONGs sanguessugas nos compêndios de parasitologia. Tampouco consideraremos aquelas ONGs que, sustentadas por instituições e governos estrangeiros, defendem interesses alienígenas e se mantêm insensíveis às aspirações do povo brasileiro.
Concentraremo-nos, portanto, naquelas denominadas "ONGs do bem". Vamos também incluir nesse conjunto bem intencionados defensores públicos e autoridades do setor de meio ambiente. E vamos começar pelo recente leilão de eletricidade que teve como consequência a autorização e incontornável implantação de 50 termoelétricas a combustíveis fósseis.
Argumentam esses missionários verdolengos que hidroelétricas reclamam represamento de água e que represas são prejudiciais ao meio ambiente por vários motivos. Inicialmente, porque ocupam o espaço do ambiente natural, principalmente florestas, ameaçando espécies naturais e o equilíbrio ecológico.
Ora, qualquer espécie que estiver restrita exclusivamente à região de uma futura represa hidroelétrica já está condenada à extinção devido ao espaço limitado. Por outro lado, a questão de espaço vital é ridícula, pois, se assim fosse, teríamos que secar os lagos naturais. A maior diferença entre lagos naturais e represas é que os primeiros foram feitos pela mãe natureza (Jeová para alguns), enquanto as represas resultam da ação do homem sobre a natureza. No fundo, uma grande parcela da aversão dos chamados ambientalistas por represas é de origem religiosa.
É claro que a introdução de uma hidroelétrica, mesmo que seja ela de "fio d'água" (em que a água represada é minimizada em troca de perdas de potência e de energia), provoca mudanças no meio ambiente, que, aliás, com frequência são desejáveis, pois permitem controle de enchentes prejudiciais ao homem e ao ambiente
Todavia, os danos causados por termoelétricas são de médio e longo prazo, infinitamente maiores, devido ao aumento do efeito estufa e com consequências globais, do que o que ocorre localmente como consequência da implantação de uma hidroelétrica.
Aparentemente os oponentes à hidroelétricas não percebem que a cada vitória jurídica que obtêm, uma série de termoelétricas será construída.
Outras dessas "ONGs do bem" concentram seus ataques no álcool combustível. "É preciso salvar o cerrado", dizem, "é preciso salvar a caatinga, é preciso salvar as dunas, os pântanos, o mangue, o deserto". Enfim, não se pode tocar em nada, nem nos 200 milhões de hectares de pastos. Ou seja, o Brasil é um museu intocável. Esse é o dogma divino. Não há espaço para a cana. Temos que nos conformar com os fósseis poluentes, aniquiladores. Temos que nos conformar com a miséria do brasileiro.
Os antolhos dessa obsessão, ironicamente, fazem com que vejam as árvores e ignorem a floresta. Ou seja, salvam meia dúzia de espécimes locais (não de espécies), mas comprometem a humanidade e mesmo a vida sobre a Terra. Que Deus nos livre das "ONGs do bem", que nós nos ocuparemos das "ONGs do mal".
(Folha de SP, 13/1)
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=61070
2 comentários:
Interessante ponto de vista sobre hidroelétricas e termoelétricas. Concordo plenamente com a idéia de que é impossível não interferir na natureza e que o necessário é pensar em maneiras de fazer isso de maneira inteligente e sustentável.
muito legal mar!!
Postar um comentário