quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Olá...
... Tenho negligenciado isso aqui. Não sei se volto, mas descobri que o FB é um ladrão de bloggers. Vários Blogs de amigos e familiares foram abandonados; imagino eu; pelas facilidades que o Feiceuque dá.( Óbvio que isso é uma estimativa, e das bem ruins, but by the way...)
Listagem de atualização:
- 2015 acabou, e vários falaram "Ainda bem! Que desgraça de ano assassino!";
- 2016 chegou, levando muita gente.
Comentário mais extenso: Quando o Lemmy morreu fiquei chateado, curto MotorHead. E acho a imagem do Lemmy icônica...
Mas a morte do David Bowie... Essa me arrasou.
Me senti oco e vazio, quase como uma amostra do que sentirei quando um parente querido se for... Poucos sabem, mas tenho a discografia do David Bowie e acompanho a carreira dele. E ele fará falta...
Mas a pessoa se foi, porém o músico e sua obra é perene. O triste será saber que não seremos surpreendidos por ele novamente.
Deixa eu ira fazer umas contas ouvindo BlackStar.
Um abraço sincero a todos que se dispuserem a ler isso.
Ps. Cancelei novamente o FB. Faz quase 3 meses sem acesso, Se for voltar não sei... Apenas quis deixar bem claro esse ponto.
Listagem de atualização:
- 2015 acabou, e vários falaram "Ainda bem! Que desgraça de ano assassino!";
- 2016 chegou, levando muita gente.
Comentário mais extenso: Quando o Lemmy morreu fiquei chateado, curto MotorHead. E acho a imagem do Lemmy icônica...
Mas a morte do David Bowie... Essa me arrasou.
Me senti oco e vazio, quase como uma amostra do que sentirei quando um parente querido se for... Poucos sabem, mas tenho a discografia do David Bowie e acompanho a carreira dele. E ele fará falta...
Mas a pessoa se foi, porém o músico e sua obra é perene. O triste será saber que não seremos surpreendidos por ele novamente.
Deixa eu ira fazer umas contas ouvindo BlackStar.
Um abraço sincero a todos que se dispuserem a ler isso.
Ps. Cancelei novamente o FB. Faz quase 3 meses sem acesso, Se for voltar não sei... Apenas quis deixar bem claro esse ponto.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Tchau "livro dos rostos"!
Essa postagem é mais um experimento social do que qualquer outra coisa... Ficou claro para mim, que o FB é inútil. Então resolvi voltar ao blog.
Tenho histórias para contar ainda, e pouco tempo. Manterei contato com todos (que me encontrarem aqui) pelo blog e email.
Um abraço!
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Grinoete!
Pretendo escrever com maior regularidade. Sério! Retomando as histórias, essa é da minha primeira temporada na TELESC (antes da privatização)...
Alguns amigos não sabem, mas trabalhei como telefonista no 102 da TELESC ("Auxílio à lista, boa noite! No que posso ajudar?"). E algumas boas histórias ocorreram por lá.
Trabalhávamos nas PA`s (posições de atendimento), cujo funcionamento era setorizado por região. Tipo Pa's 01 até 20, Florianópolis e região; 21 até 30 Lages e região... Acho deu para entender. Numa noite daquelas, eu estava atendendo a região de Lages quando o meu fone apitou (avisando que havia usuário na linha):
- Auxílio à lista, boa noite! No que posso ajudar? Digo, seguindo à risca a fraseologia.
- Boa noite! Quero o número do Grinoete! Diz uma senhora com sotaque de gaúcho de Lages. (Essa referência é para o pessoal de SC.
Eu, mais do que depressa digito "Grinoete"... E a tela de fósforo verde pisca me devolvendo:
>> Não localizado.
Sempre fui um bom garimpador de dados da base da Telesc, e tinha uma marca pessoal de 97% de AC (Atendimento Completo é atendimento cujo final resulta no número solicitado pelo o cliente). Não encontrar já me deixou alerta. Enquanto digitava variações para ver se aparecia algo (Grinuete >> Não localizado., Grinueti>> Não localizado., etc...), perguntei:
- Senhora? Teria uma referência, ou nome de rua?
- Oras que pergunta mais sem sentido! O Grinoete, aqui na avenida principal!
- Senhora, a central de atendimento do 102 da qual falo é localizada em Florianópolis. Dessa manei...
- Me passe então para a central daqui de Lages!!
- Senhora, todo o esta...
- Que absurdo! Como Lages não tem? EU SEI, que Chapecó tem uma central própria!
- Senhora, todo o estado é atendido por aqui. Se me informar a rua, e o que seria a atividade do Grinoete poderei lhe ajudar. Respondo educadamente.
- Duvido, afinal esse povinho do litoral não quer nada com o trabalho... Fala "educadamente" a senhora.
- Senhora, qual o ramo de atividade e se possível uma referência. Falo para poder completar o atendimento.
- O Grinoete é um restaurante, muito bom por sinal. Fica na avenida principal, a avenida XXXX.
Começo a pesquisa cruzando as informações... E nada de aparecer o bendito restaurante, e ainda ficava ouvindo a senhora reclamar ( Que absurdo! Tiraram a central de 102 daqui de Lages meu velho... Onde vamos parar! ). Ficando puto resolvo fazer a pesquisa da maneira semi-antiga: Puxo todos os estabelecimentos comerciais da Av. XXXX e inicio a leitura página à página... E nada.
- Senhora? Não localizo esse estabelecimento... Falo, pensando em completar com "Esse estabelecimento não possui algum outro nome", pois muitas pessoas dão nomes imaginários para estabelecimentos.
- Dá para ver a placa daqui! Que droga! Olha, para te facilitar. Fica ao lado da farmácia Gauchão Cura Tudo.
- Mais um instante, enquanto refaço a pesquisa.
Recomeço, com a nova referência... Pesquiso a farmácia Gauchão Cura Tudo. Encontro. Inicio a busca nas redondezas quando...
- Senhora? Localizei um restaurante com o nome de Restaurante Green White...
- Isso mesmo! Grinoete! Pode me passar o número.
Aponto o sistema para o "Grinoete" e depois de iniciar a fala automática começo a rir, para não chorar de raiva!
Alguns amigos não sabem, mas trabalhei como telefonista no 102 da TELESC ("Auxílio à lista, boa noite! No que posso ajudar?"). E algumas boas histórias ocorreram por lá.
Trabalhávamos nas PA`s (posições de atendimento), cujo funcionamento era setorizado por região. Tipo Pa's 01 até 20, Florianópolis e região; 21 até 30 Lages e região... Acho deu para entender. Numa noite daquelas, eu estava atendendo a região de Lages quando o meu fone apitou (avisando que havia usuário na linha):
- Auxílio à lista, boa noite! No que posso ajudar? Digo, seguindo à risca a fraseologia.
- Boa noite! Quero o número do Grinoete! Diz uma senhora com sotaque de gaúcho de Lages. (Essa referência é para o pessoal de SC.
Eu, mais do que depressa digito "Grinoete"... E a tela de fósforo verde pisca me devolvendo:
>> Não localizado.
Sempre fui um bom garimpador de dados da base da Telesc, e tinha uma marca pessoal de 97% de AC (Atendimento Completo é atendimento cujo final resulta no número solicitado pelo o cliente). Não encontrar já me deixou alerta. Enquanto digitava variações para ver se aparecia algo (Grinuete >> Não localizado., Grinueti>> Não localizado., etc...), perguntei:
- Senhora? Teria uma referência, ou nome de rua?
- Oras que pergunta mais sem sentido! O Grinoete, aqui na avenida principal!
- Senhora, a central de atendimento do 102 da qual falo é localizada em Florianópolis. Dessa manei...
- Me passe então para a central daqui de Lages!!
- Senhora, todo o esta...
- Que absurdo! Como Lages não tem? EU SEI, que Chapecó tem uma central própria!
- Senhora, todo o estado é atendido por aqui. Se me informar a rua, e o que seria a atividade do Grinoete poderei lhe ajudar. Respondo educadamente.
- Duvido, afinal esse povinho do litoral não quer nada com o trabalho... Fala "educadamente" a senhora.
- Senhora, qual o ramo de atividade e se possível uma referência. Falo para poder completar o atendimento.
- O Grinoete é um restaurante, muito bom por sinal. Fica na avenida principal, a avenida XXXX.
Começo a pesquisa cruzando as informações... E nada de aparecer o bendito restaurante, e ainda ficava ouvindo a senhora reclamar ( Que absurdo! Tiraram a central de 102 daqui de Lages meu velho... Onde vamos parar! ). Ficando puto resolvo fazer a pesquisa da maneira semi-antiga: Puxo todos os estabelecimentos comerciais da Av. XXXX e inicio a leitura página à página... E nada.
- Senhora? Não localizo esse estabelecimento... Falo, pensando em completar com "Esse estabelecimento não possui algum outro nome", pois muitas pessoas dão nomes imaginários para estabelecimentos.
- Dá para ver a placa daqui! Que droga! Olha, para te facilitar. Fica ao lado da farmácia Gauchão Cura Tudo.
- Mais um instante, enquanto refaço a pesquisa.
Recomeço, com a nova referência... Pesquiso a farmácia Gauchão Cura Tudo. Encontro. Inicio a busca nas redondezas quando...
- Senhora? Localizei um restaurante com o nome de Restaurante Green White...
- Isso mesmo! Grinoete! Pode me passar o número.
Aponto o sistema para o "Grinoete" e depois de iniciar a fala automática começo a rir, para não chorar de raiva!
domingo, 24 de março de 2013
Essa é dos tempos de Universidade...
Havia uma colega, de quem gostávamos muito. Mas essa pessoa tinha um defeito, de tempos em tempos ela tinha uns rompantes de "genialidade". Uma vez ela resolveu passar um trote nos calouros, no dia da 2ª aula de G.A. (Geometria Analítica), ela chegou bem cedo (o professor já era conhecido dela e ela sabia que ele normalmente atrasava 10 minutos, ela era repentente) E escreveu no quadro:
Aula de Geometria Analítica, transferida para o CTC, sala 401.
E saiu, esperando ver os calouros saírem correndo para a nova sala... Eu estava sentado perto da sala ali no CCE, vendo o ocorrido. Ela veio falar comigo dando risada e conversamos um pouco. Por algum motivo ela teve que sair dali e não pôde ver o fruto que ela plantou. Fiquei por ali descansando (sono infinito depois do almoço no RU), nesse meio tempo vieram alguns calouros e viram o recado. Daí ocorreu o seguinte diálogo:
"--- Fulano, vamos lá!
--- Espere, vamos esperar a Siclana que está apagando o quadro!
--- Mas vocês estão apagando porquê? Têm mais gente que precisa ler o recado...
--- Ah, é mesmo! Siclana, escreve o recado de novo."
E os 3 ou 4 calouros saíram felizes atrás do CTC... Nisso a colega voltou com uma amiga e entrou na sala ainda vazia, e ouvi a seguinte conversa:
"--- Nooossa! Fui passar um trote nos calouros, e não é que acertei que o professor ia mudar de sala?
--- Tem certeza?
--- Claro, veja a letra é diferente da minha! Vamos correr senão a gente não chega a tempo..."
Quando eu ouvi, comecei a rir e fiquei quieto. Elas saíram correndo e 3 minutos depois começa a chegar o povo junto com o professor. Que ao chegar diz: " Que aviso é esse?" Deixa pra lá, vamos começar a aula."
Aula de Geometria Analítica, transferida para o CTC, sala 401.
E saiu, esperando ver os calouros saírem correndo para a nova sala... Eu estava sentado perto da sala ali no CCE, vendo o ocorrido. Ela veio falar comigo dando risada e conversamos um pouco. Por algum motivo ela teve que sair dali e não pôde ver o fruto que ela plantou. Fiquei por ali descansando (sono infinito depois do almoço no RU), nesse meio tempo vieram alguns calouros e viram o recado. Daí ocorreu o seguinte diálogo:
"--- Fulano, vamos lá!
--- Espere, vamos esperar a Siclana que está apagando o quadro!
--- Mas vocês estão apagando porquê? Têm mais gente que precisa ler o recado...
--- Ah, é mesmo! Siclana, escreve o recado de novo."
E os 3 ou 4 calouros saíram felizes atrás do CTC... Nisso a colega voltou com uma amiga e entrou na sala ainda vazia, e ouvi a seguinte conversa:
"--- Nooossa! Fui passar um trote nos calouros, e não é que acertei que o professor ia mudar de sala?
--- Tem certeza?
--- Claro, veja a letra é diferente da minha! Vamos correr senão a gente não chega a tempo..."
Quando eu ouvi, comecei a rir e fiquei quieto. Elas saíram correndo e 3 minutos depois começa a chegar o povo junto com o professor. Que ao chegar diz: " Que aviso é esse?" Deixa pra lá, vamos começar a aula."
sexta-feira, 1 de março de 2013
1as memórias
Como prometido nesse post (Blogando)segue primeira história:
Numa da viagens, entre Macapá-Belo Horizonte (ou Macapá-Florianópolis, não lembro desses detalhes). É um trajeto longo, com uma parada de uma hora e meia em Brasília, e apesar de não ser friorento a Luciane me recomendou levar uma manta... A manta em questão era pequena, espessa e de cor laranja e por um acaso do destino - um laranja exatamente do mesmo tom da GOL.
Lá pelas tantas peguei a manta, me cobri e tentei dormir. Quando ouvi o seguinte diálogo:
"-- Mocinha, estou com frio. Pode me arranjar uma manta?"
-- Senhora, há algum tempo não fornecemos mais esse serviços.
-- Porquê vocês não querem me arranjar uma coberta?"
-- Mas senhora, não é esse o caso a compa...
-- Porquê arranjaram para aquele rapaz e não querem arranjar para mim!?"
Nessa hora a velhinha apontou para mim... As comissárias olharam desconcertadas umas às outras. E eu fingindo dormir... A Senhora ficou insistindo tanto, que as comissárias vieram falar como sob a estrita vigilância da senhora friorenta, confirmar se a coberta era minha ou da companhia aérea...
No final demos boas risadas (tirando a velhinha que continuou achando que a manta era da GOL).
Numa da viagens, entre Macapá-Belo Horizonte (ou Macapá-Florianópolis, não lembro desses detalhes). É um trajeto longo, com uma parada de uma hora e meia em Brasília, e apesar de não ser friorento a Luciane me recomendou levar uma manta... A manta em questão era pequena, espessa e de cor laranja e por um acaso do destino - um laranja exatamente do mesmo tom da GOL.
Lá pelas tantas peguei a manta, me cobri e tentei dormir. Quando ouvi o seguinte diálogo:
"-- Mocinha, estou com frio. Pode me arranjar uma manta?"
-- Senhora, há algum tempo não fornecemos mais esse serviços.
-- Porquê vocês não querem me arranjar uma coberta?"
-- Mas senhora, não é esse o caso a compa...
-- Porquê arranjaram para aquele rapaz e não querem arranjar para mim!?"
Nessa hora a velhinha apontou para mim... As comissárias olharam desconcertadas umas às outras. E eu fingindo dormir... A Senhora ficou insistindo tanto, que as comissárias vieram falar como sob a estrita vigilância da senhora friorenta, confirmar se a coberta era minha ou da companhia aérea...
No final demos boas risadas (tirando a velhinha que continuou achando que a manta era da GOL).
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Blogando...
Escrevo para partilhar... Seja, o amor, seja a dor... Seja a minha vontade mostrar coisas que gosto ou desgosto.
Mas acredito ser muito feliz, pois até onde eu lembre, foram poucas vezes que partilhei a dor. Porém quero falar com vocês da memória... Essa amiga traiçoeira que falha de uma hora para outra e também de uma hora para outra vem com uma força e clareza impressionante.
Escrevo isso para dizer que começarei a postar eventos e histórias que vivi... não serão em ordem cronológica, quem ditará a ordem será a minha amiga; a memória; mas é claro que sempre localizarei para vocês essas histórias no tempo.
Depois escrevo as história.
Um abraço a todos. Amo a todos, indiscriminadamente.
Depois escrevo as história.
Um abraço a todos. Amo a todos, indiscriminadamente.
domingo, 7 de outubro de 2012
Voltando.
Vou voltar a blogar, desativei temporariamente o FB. Para desintoxicar. Em breve escrevo mais.
Abraços!
Abraços!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
2012
Não é que chegou? Sabe pessoal está acontecendo tantas coisas, que nem sei por onde começar. Ou melhor nem sei se quero comentar tudo de uma vez.
O que quero é partilhar com vocês um texto do H.P. Lovercraft muito interessante... E calma não é nada assustador, serve para pensar bastante.
O que quero é partilhar com vocês um texto do H.P. Lovercraft muito interessante... E calma não é nada assustador, serve para pensar bastante.
A
PROCURA DE IRANON
H. P.
Lovecraft
Para a
cidade de granito de Teloth perambulou o jovem com uma grinalda de
folhas de parreira sobre o cabelo louro reluzente de mirra, o manto
púrpura rasgado pelos espinheiros do monte Sidrak, que se ergue do
outro lado da antiga ponte de pedra. Os homens de Teloth são rudes e
sombrios, e moram em casas quadradas. Com semblantes carrancudos
perguntaram ao estrangeiro de onde ele vinha e qual era seu nome e
fortuna. E o jovem respondeu:
"Sou
Iranon e venho de Aira, uma cidade distante da qual só me lembro
vagamente mas que procuro reencontrar. Sou um cantor das canções
que aprendi na cidade distante e meu oficio é fazer beleza com as
coisas relembradas da infância. Minha riqueza está em pequenas
lembranças e sonhos, e nas esperanças que canto nos jardins quando
a lua é doce e o vento oeste agita as flores de lótus".
Quando os
homens de Teloth ouviram essas coisas, murmuraram entre si; pois,
embora na cidade de granito não haja risos nem canções, os homens
rudes às vezes olham para os montes Karthianos, na primavera, e
pensam nos alaúdes da distante Oonai mencionada pelos viajantes. E,
assim pensando, pediram ao estrangeiro que ficasse e cantasse na
praça diante da Torre de Mím, embora não gostassem da cor de seu
manto esfarrapado, nem da mirra em seu cabelo, nem de sua grinalda de
folhas de videira, nem da juventude de sua voz dourada. Ao anoitecer,
Iranon cantou, e enquanto cantava um velho orava e um cego afirmou
enxergar uma auréola sobre a cabeça do cantor. Mas a maioria dos
homens de Teloth bocejou, e alguns riram, e alguns caíram no sono,
pois Iranon não dizia nada de útil, cantando somente suas
lembranças, seus sonhos e suas esperanças. "Lembro-me do
crepúsculo, da lua e das doces canções, e da janela onde era
embalado para dormir. E além da janela havia a rua de onde vinham as
luzes douradas e as sombras dançavam sobre casas de mármore.
Recordo o quadrado de luar do chão, que nenhuma outra luz igualava,
e as visões que dançavam nos raios lunares quando minha mãe
cantava para mim. E recordo também o sol da manhã brilhando sobre
as multicoloridas colinas no verão, e a doçura das flores
carregadas pelo vento sul que fazia as árvores cantarem." "Ó
Aira, cidade de mármore e berilo, quantas não são tuas belezas!
Quanto eu amava os cálidos e fragrantes bosques além do hialino
Nithra, e as quedas do minúsculo Kra, que corria pelo vale
verdejante! Naqueles bosques e naquele vale, as crianças trançavam
grinaldas umas para as outras e, ao crepúsculo, eu sonhava estranhos
sonhos sob as árvores yaths na montanha enquanto via, abaixo de mim,
as luzes da cidade e o sinuoso Nithra refletindo um cinturão de
estrelas." "E na cidade havia palácios de mármore raiado
e matizado com cúpulas douradas e paredes ornamentadas, e verdes
jardins com tanques cerúleos e fontes cristalinas. Muitas vezes
brinquei nos jardins, e entrei nos tanques, e me deitei e sonhei
entre as pálidas flores debaixo das árvores. E às vezes, ao
pôr-do-sol, eu subia pela longa e íngreme rua até a cidadela e a
praça aberta, e olhava para baixo, para Aira, a cidade mágica de
mármore e berilo, esplêndida em seu manto de chama dourada."
"Há muito eu te perdi, ó Aira, pois era muito jovem quando
parti para o exílio, mas meu pai era o Rei e eu voltarei para ti,
pois assim quer o Destino. E por sete terras eu te busquei, e algum
dia reinarei sobre teus bosques e jardins, tuas ruas e palácios, e
cantarei para homens que saberão do que eu canto, e não rirão, nem
se afastarão. Pois eu sou Iranon, que foi um Príncipe em Aira."
Naquela noite, os homens de Teloth alojaram o estrangeiro num
estábulo e, pela manhã, um arconte foi ter com ele dizendo-lhe para
ir à oficina de Athok, o sapateiro, e tornar-se seu aprendiz. "Mas
eu sou Iranon, um cantor de canções", disse ele, "e não
tenho vocação para o oficio de sapateiro." "Todos em
Teloth devem trabalhar arduamente", replicou o arconte, "pois
esta é a lei." Então disse Iranon: "Por que motivo
trabalhais arduamente? Não deveis viver e ser felizes? E se
trabalhais arduamente apenas para poder trabalhar ainda mais, quando
a felicidade vos encontrará? Trabalhais para viver, mas a vida não
é feita de beleza e canção? E se não tiverdes cantores entre vós,
para onde irão os frutos de vosso trabalho? A lida sem canção é
como uma jornada estafante sem um fim. A morte não seria mais
agradável?" Mas o arconte se aborreceu e não entendeu, e
reprovou o estranho. "És um jovem estranho e não gosto de teu
rosto, nem de tua voz. As palavras que falas são blasfêmia, pois
disseram os deuses de Teloth que o trabalho árduo é bom. Nossos
deuses nos prometeram um paraíso de luz além da morte onde
repousaremos eternamente, e a frialdade de cristal em meio à qual
ninguém perturbará nossa mente com pensamentos ou nossos olhos com
beleza. Vai, pois, até Athok, o sapateiro, ou parte da cidade ao
entardecer. Todos aqui devem servir, e cantar é insensatez."
Iranon abandonou então o estábulo e caminhou pelas estreitas ruas
de pedra entre as sombrias casas quadradas de granito, procurando
algum verde, pois tudo ali era de pedra. Os homens traziam as testas
franzidas, mas no dique de pedra que margeava o preguiçoso rio Zuro
havia um garoto sentado escrutinando com olhos tristes as águas por
trás de verdes ramos floridos trazidos dos morros pelas cheias. E o
garoto lhe disse: Não és aquele de quem os arcontes falam, aquele
que procura uma cidade distante numa bela região? Sou Romnod,
nascido do sangue de Teloth, mas não sou um velho calejado nos modos
da cidade de granito e anseio diariamente pelos cálidos bosques e as
terras distantes de beleza e canção. Além dos montes Karthianos
fica Oonai, a cidade dos alaúdes e das danças da qual os homens
murmuram dizendo que é igualmente adorável e terrível. Ali eu iria
se fosse suficientemente velho para encontrar o caminho, e ali
deverias ir e cantar, e terias pessoas para te escutar. Deixemos a
cidade de Teloth e viajemos juntos entre os montes primaveris. Tu me
mostrarás os caminhos da viagem e eu ouvirei tuas canções ao
entardecer, quando as estrelas, uma a uma, trazem sonhos às mentes
dos sonhadores. E pode mesmo acontecer que Oonai, a cidade dos
alaúdes e das danças, seja a mesma bela Aira que tu procuras, pois
conta-se que não encontraste Aira desde os velhos tempos, e os nomes
freqüentemente mudam. Vamos para Oonai, ó Iranon de cabeça
dourada, onde os homens conhecerão nossos anseios e nos receberão
como irmãos, e também não rirão nem franzirão as testas com o
que dissermos". E Iranon respondeu: "Assim seja, pequeno.
Se alguém neste lugar de pedra anseia por beleza, deve buscar as
montanhas e ir além delas, e eu não te deixaria a definhar ao lado
do preguiçoso Zuro. Mas não penses que o deleite e o entendimento
grassam logo depois dos montes Karthianos, ou em qualquer lugar que
possas encontrar numa jornada de um dia, ou um ano, ou um lustro.
Olha, quando eu era pequeno como tu, morava no vale de Narthos, à
beira do frígido Xari, onde ninguém se importava com meus sonhos, e
disse para mim que, quando fosse mais velho, iria para Sinara na
encosta meridional, e cantaria para sorridentes cameleiros na praça
do mercado. Mas quando fui a Sinara, encontrei os cameleiros todos
bêbados e dissolutos, e percebi que suas canções não eram como as
minhas, por isso viajei numa chata, descendo o Xari até a Jaren das
muralhas de ônix. E os soldados de Jaren riram de mim e me
expulsaram, por isso saí perambulando por muitas outras cidades.
Conheci Stethelos, abaixo da grande catarata, e vi o pântano onde um
dia existiu Sarnath. Estive em Thraa, Ilarnek e Kadatheron às
margens do sinuoso rio Ai, e habitei muito tempo Olathoe, na terra de
Lomar. Mas, embora encontrasse ouvintes ocasionais, eles sempre foram
muito poucos, e sei que só serei bem recebido em Aira, a cidade de
mármore e berilo onde meu pai uma vez governou como Rei. Assim,
pois, buscaremos Aira, embora fosse bom visitar até a distante
Oonai, abençoada pelos alaúdes, além dos montes Karthianos, que
pode de fato ser Aira, muito embora eu não o creia. A beleza de Aira
supera a imaginação e ninguém consegue se pronunciar sobre ela sem
arrebatamento, enquanto de Oonai os cameleiros sussurram
furtivamente."
O sol se
punha, quando Iranon e o pequeno Romnod partiram de Teloth, e durante
muito tempo perambularam pelos verdes montes e as frias florestas. O
caminho era acidentado e escuro, e eles pareciam nunca se aproximar
de Oonai, a cidade de alaúdes e danças, mas quando chegava o
crepúsculo e as estrelas surgiam, Iranon cantava sobre Aira e suas
belezas, e Romnod escutava, e isso os deixava, até certo ponto,
contentes. Comiam regaladamente frutas e bagas vermelhas, e não
sentiam o tempo passar, mas muitos anos devem ter transcorrido. O
pequeno Romnod já não era tão pequeno e já não tinha a voz
esganiçada e sim grave, embora Iranon fosse sempre o mesmo e
continuasse enfeitando seus cabelos dourados com folhas de parreira e
resinas fragrantes encontradas nos bosques. Assim, deu-se um dia em
que Romnod pareceu estar mais velho que Iranon, embora fosse muito
pequeno quando Iranon o encontrara espreitando por verdes ramos
floridos em Teloth, ao lado do preguiçoso Zuro margeado de pedra.
Era uma noite de lua cheia quando os viajantes atingiram o cume de
uma montanha e, olhando para baixo, avistaram as miríades de luzes
de Oonai. Camponeses lhes haviam dito que estavam perto e Iranon
percebeu que aquela não era sua cidade nativa de Aira. As luzes de
Oonai não eram como as luzes de Aira, pois eram fortes e ofuscantes,
enquanto as luzes de Aira brilhavam com tanta suavidade e magia
quanto o luar sobre o chão ao lado da janela onde a mãe de Iranon
um dia o acalentara com canções. Mas Oonai era uma cidade de
alaúdes e danças, por isso Iranon e Romnod desceram a íngreme
encosta para encontrar pessoas a quem canções e sonhos pudessem
agradar. E, quando entraram na cidade, encontraram foliões com
grinaldas de rosas saltitando de casa em casa e se inclinando de
janelas e sacadas que ouviam as canções de Iranon e atiravam-lhe
flores e o aplaudiam quando terminava. Então, por um momento, Iranon
acreditou ter encontrado os que pensavam e sentiam como ele, embora a
cidade não tivesse um centésimo da beleza de Aira. Ao chegar a
aurora, Iranon olhou em torno desalentado, pois as cúpulas de Oonai
não eram douradas sob o sol, mas cinzentas e sombrias. E os homens
de Oonai estavam pálidos das folias e entorpecidos pelo vinho, e
eram diferentes dos radiantes homens de Aira. Mas como as pessoas
tinham atirado flores sobre ele e aclamado suas canções, Iranon
ficou, e com ele Romnod, que gostava das folias da cidade e trazia
rosas e mirto em seus negros cabelos. Muitas vezes, à noite, Iranon
cantava para os foliões, mas estava sempre como antes, coroado
apenas com as vinhas das montanhas e recordando as ruas de mármore
de Aira e o hialino Nithra. Nos salões cobertos de afrescos do
Monarca ele cantou sobre uma plataforma de cristal elevada sobre um
piso espelhado, e ao cantar trazia imagens para seus ouvintes até o
piso parecer refletir coisas antigas, belas e meio lembradas em vez
dos foliões avermelhados pelo vinho que o bombardeavam com rosas. E
o Rei pediu-lhe que tirasse seu esfarrapado manto púrpura e vestiu-o
de cetim com brocados de ouro, com anéis de jade verde e braceletes
de tinto marfim, e alojou-o num quarto dourado e forrado de
tapeçarias com uma cama de madeira delicadamente entalhada, com
dosséis e colchas de seda com bordados florais. Assim viveu Iranon
em Oonai, a cidade dos alaúdes e das danças. Não se sabe quanto
tempo Iranon permaneceu em Oonai, mas certo dia o Rei trouxe para o
palácio alguns dançarmos frenéticos do deserto liraniano e
trigueiros flautistas de Drinen, no Leste, e a partir de então os
foliões atiraram suas rosas não tanto em Iranon, mas sobretudo nos
dançarinos e flautistas. E, dia após dia, aquele Romnod que havia
sido um garoto na granítica Teloth foi se tornando mais rude e
avermelhado pelo vinho, até que passou a sonhar cada vez menos e a
ouvir com menos deleite as canções de Iranon. Mas, embora estivesse
triste, Iranon não deixava de cantar, e à noite recontava sempre
seus sonhos de Aira, a cidade de mármore e berilo. Então, certa
noite em que roncava pesadamente recostado entre as sedas narcóticas
de seu leito, Romnod, gordo e rubicundo, faleceu em meio a uma
convulsão, enquanto Iranon, pálido e esbelto, cantava para si mesmo
num canto distante. Depois de prantear sobre o túmulo de Romnod e o
forrar com verdes ramos floridos como os que Romnod costumava amar,
Iranon despiu suas sedas e adornos e partiu, esquecido, de Oonai, a
cidade de alaúdes e danças, trajando apenas o esfarrapado manto
púrpura com que chegara, coroado com uma grinalda de frescas folhas
de parreira das montanhas. Ao entardecer, errava ainda Iranon,
procurando sua terra nativa e os homens que compreenderiam e
louvariam seus sonhos e canções. Em todas as cidades de Cydathria e
nas terras além do deserto de Bnazie, crianças risonhas riam de
suas velhas canções e de seu esfarrapado manto púrpura, mas Iranon
permanecia jovem e trazia grinaldas sobre sua cabeça dourada
enquanto cantava sobre Aira, deleite do passado e esperança do
porvir. Assim foi que chegou, certa noite, ao esquálido casebre de
um velho pastor, encurvado e sujo, que apascentava rebanhos numa
encosta empedrada que subia de um pântano de areias movediças. Para
esse homem, falou Iranon, como para tantos outros havia falado:
"Podeis me dizer onde poderei encontrar Aira, a cidade de
mármore e berilo, onde corre o hialino Nithra, e onde as quedas do
minúsculo Kra cantam para vales verdejantes e colinas cobertas de
pés de yath?" E o pastor, ouvindo, olhou demorada e atentamente
para Iranon, como que recordando algo muito distante no tempo, e
observou cada linha do rosto do estranho, e seu cabelo dourado, e sua
coroa de folhas de videira. Mas ele era velho e abanou a cabeça
enquanto respondia: "Ó estrangeiro, ouvi de fato o nome de
Aira, e os outros nomes de que falaste, mas eles me vêm de muito
longe, da profundeza de longos anos. Ouvi-os em minha juventude dos
lábios de um companheiro de folguedos, o filho de um mendigo dado a
estranhos sonhos que tecia longas narrativas sobre a lua e as flores
e o vento oeste. Costumávamos rir dele, pois o conhecíamos desde
seu nascimento, embora pensasse ser filho de um Rei. Era gracioso,
como tu, mas cheio de disparates e estranheza; e fugiu quando era
pequeno para encontrar os que ouviriam com deleite seus sonhos e
canções. Quantas vezes não cantou ele para mim sobre terras que
nunca existiram e coisas que nunca existirão! De Aira ele falava
muito; de Aira e do rio Nithra, e das quedas do minúsculo Kra. Ele
sempre dizia que ali vivera algum dia como um Príncipe, embora por
aqui nós o conhecêssemos desde seu nascimento. Jamais existiu uma
cidade de mármore de Aira, nem os que poderiam se deleitar com
estranhas canções exceto nos sonhos de meu velho companheiro de
folguedos Iranon, que partiu". E ali, ao crepúsculo, quando as
estrelas saiam uma a uma e a lua lançava sobre o pântano uma
radiância como a que uma criança vê estremecer no piso enquanto é
ninado ao anoitecer, caminhou em direção à areia movediça letal
um homem muito velho vestindo um esfarrapado manto púrpura, coroado
com folhas ressecadas de videira e olhando para a frente como se
estivesse vendo as cúpulas douradas de uma bela cidade onde os
sonhos são compreendidos. Naquela noite, algo de juventude e beleza
morreu no velho mundo.
Se alguém souber que é o tradutor favor me avisar para os devidos créditos.
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